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POESIA EM LUTO:
Hoje: 16/02/2026
Faleceu aos 80 anos o poeta, repentista, cantador e compositor Daudeth Bandeira, considerado por ouvintes, estudiosos e colegas de profissão como um dos mais abalizados vates de sua geração. Natural de São José de Piranhas, no Sertão da Paraíba, ele construiu uma trajetória marcada pela força da poesia improvisada, pela musicalidade e pela defesa das tradições culturais do Nordeste.
Nascido em 9 de junho de 1945, Manuel Bandeira de Caldas — nome de batismo — ficou nacionalmente conhecido como Daudeth Bandeira. Caçula de uma família de poetas, era filho de Tobias Pereira de Caldas e Maria de França Bandeira, neto do imortal cantador Manuel Galdino Bandeira e irmão dos também cantadores Pedro, Francisco e João Bandeira. Cresceu em meio à viola e aos versos, iniciando ainda cedo na elaboração de rimas e na prática da cantoria.
Como repentista profissional, participou de inúmeros torneios, congressos e festivais de cantadores pelo Brasil, conquistando premiações e reconhecimento. Sua presença nos palcos era marcada pela habilidade no improviso, riqueza vocabular e firmeza temática, características que o tornaram respeitado entre apologistas da cantoria e admiradores da poesia popular.
Daudeth Bandeira também deixou importante legado fonográfico, com participações em discos como Um Voo na Poesia, Capim Verdão, O Grande Desafio, Frenacrep, Cantares da Terra e Estação Nordeste, ao lado de nomes de destaque como Louro Branco, Benoni Conrado, Pedro Bandeira e Juvenal Evangelista.
Autor de diversos poemas e composições, teve obras gravadas por outros grandes intérpretes da poesia e da música nordestina. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão Conversando com as Águas, O Preço do Nosso Amor, O Pai, o Filho e o Carro, Adeus do Nordestino, O Plantador de Milho, Nordestinação, A Manicure, Sorte de Vaqueiro e Pássaro Rural. Parte dessas composições alcançou grande repercussão no cenário cultural.
Além da carreira artística, Daudeth Bandeira formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal da Paraíba, concluindo o curso em 1985. Em João Pessoa, onde residia, conciliava a advocacia com a poesia, dividindo o tempo entre o trabalho jurídico e as atividades de cantoria.
A morte de Daudeth Bandeira representa uma perda significativa para a cultura popular nordestina. Seu legado permanece vivo na memória dos festivais, nas gravações, nos versos e na tradição da cantoria de viola.
FONTE: VITRINE DO CARIRI.

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