INVASÃO DE MONTEIRO: (115 ANOS)
Publicado: 15/05/2026
Há exatos 115 anos, Monteiro viveu uma das páginas mais intensas, violentas e cinematográficas de sua história política. No dia 6 de maio de 1911, a então pacata cidade do Cariri paraibano foi palco de uma invasão armada liderada pelo bacharel Augusto Santa Cruz, personagem que ficou conhecido como o “Dr. Cangaceiro”.
Augusto Santa Cruz rompeu com a oligarquia dominante da antiga Paraíba do Norte, liderada pelo presidente da província, João Lopes Machado. Sentindo-se perseguido politicamente e sem garantias de defesa, decidiu abandonar a vida jurídica e partir para o confronto armado. Para isso, reuniu cerca de 120 homens, muitos recrutados nos porões do cangaço, com o objetivo de retomar à força o espaço político que acreditava lhe ter sido tirado.
A invasão ocorreu durante uma madrugada fria e chuvosa. Pegando o destacamento policial completamente de surpresa, os homens de Augusto renderam os oficiais enquanto dormiam e assumiram o controle da cidade. Em seguida, o bacharel ordenou a quebra da cadeia pública de Monteiro, libertando seu protegido conhecido como Peba e todos os demais presos, que passaram imediatamente a integrar o grupo armado.
O confronto que se seguiu mergulhou a cidade em caos e pânico. Houve intenso tiroteio, mortes e correria pelas ruas. Assustada, a população abandonou casas e estabelecimentos comerciais, transformando Monteiro em uma verdadeira cidade fantasma dominada pelos revoltosos.
Ao final daquele dia, Augusto Santa Cruz mantinha sob seu poder importantes autoridades locais, entre elas o prefeito Pedro Bezerra, o promotor José Inojosa Varejão e o capitão Victor Antunes. Sem conseguir reagir sozinho, o governo paraibano pediu apoio ao governador de Pernambuco, Herculano Bandeira, ampliando o conflito para um cenário político interestadual.
Na época, Pernambuco também vivia forte tensão política entre Rosa e Silva e o general Dantas Barreto. Curiosamente, Dantas Barreto tinha ligação afetiva com Monteiro, onde trabalhou como relojoeiro na juventude e construiu amizade com a família Santa Cruz, fato que influenciou diretamente os desdobramentos do conflito.
Temendo o avanço do grupo armado, Pernambuco enviou um batalhão composto por 240 praças e dez oficiais, comandados pelo Major Alfredo Duarte, fortemente armados com cerca de 40 mil cartuchos para enfrentar aquele que passou a ser chamado de “Dr. cangaceiro”.
O combate decisivo aconteceu no dia 27 de maio de 1911, na Fazenda Areal. Após horas de intenso fogo cruzado entre as forças da Paraíba e Pernambuco contra os homens de Augusto Santa Cruz, o bacharel percebeu que não conseguiria resistir ao cerco e iniciou a retirada.
A última parte dessa história teve como destino o Ceará. Levando consigo os reféns, Augusto percorreu vários quilômetros libertando cada um deles ao longo do caminho. Ao chegar em Juazeiro do Norte, foi acolhido pelo Padre Cícero, que recebeu o grupo como perseguidos políticos, desarmou os homens e lhes ofereceu trabalho digno.
Assim terminou um dos episódios mais fascinantes da história do Nordeste: uma invasão armada que começou sob tiros e tensão em Monteiro e terminou sob a proteção e a mediação do “Padim Ciço”, eternizando Augusto Santa Cruz como um dos personagens mais controversos e marcantes do Cariri.
O Pipoco
Com: Informações de Abraão Anastácio.

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